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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dois prodígios da tecnologia que se foram neste século

Recordações do Concorde e do Space Shuttle

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=38551&op=all
2010-01-11

Por Duarte Barral

O fim de um ano é uma altura em que habitualmente se faz o balanço do mesmo e o ano que findou serviu ainda de mote para se começar a fazer a análise da primeira década do século XXI.

Muitos factos marcaram os primeiros anos deste século e a opinião generalizada é que não deixarão muitas saudades, certamente devido à recessão económica que ainda abala o mundo e a ameaças graves contra a paz e segurança mundiais.
Assistimos ainda ao anúncio do desaparecimento de dois prodígios da tecnologia, que eram verdadeiros símbolos de uma época.
A década começou com um acidente aéreo trágico que marcou o fim de um ícone da tecnologia. Falo do despenhamento do Concorde, o unico avião comercial supersónico a realizar vôos regulares entre a Europa e os EUA. Esta maravilha da tecnologia, que começou a voar nos anos setenta, permitia atravessar o Atlântico em menos de metade do tempo do que outros aviões demoram, e fazê-lo num ambiente de conforto, sem ter que se vestir um fato especial e usar uma máscara de oxigénio.
O acidente pôs a descoberto algumas vulnerabilidades do avião, que mesmo assim é um dos aviões com melhor registo de segurança de sempre. Mesmo após grandes investimentos para resolver as vulnerabilidades detectadas, a British Airways e a Air France decidiram retirar todos os aviões da frota em 2003, apontando a diminuição do número de passageiros, decorrente das dúvidas geradas pelo acidente e a falta de viabilidade comercial. E foi pena que se tenha posto fim a um feito tecnológico da humanidade sem que tenha sido substituído por outro feito mais avançado.
O outro icone tecnológico, também dos anos setenta e que viu o seu fim anunciado neste início de século, foi o Space Shuttle. Depois da trágica perda do Columbia e da sua tripulação em 2003, as questões de segurança começaram a pesar e a idade do projecto também.
Este foi mais um tremendo avanço que sucumbiu à lógica da viabilidade económica numa altura de crise a nível mundial. Além disso, na nossa sociedade globalizada, a opinião pública e a comunicação social seguem ao pormenor tudo o que se relaciona com a segurança, ou melhor dizendo, a falta dela.
Mas em avanços tecnológicos extraordinários deste tipo o risco está sempre presente. Foi assim na chegada à lua, quando o modulo lunar aterrou praticamente sem combustível, nas viagens do Space Shuttle e de outros veículos de exploração espacial e de certa forma também nos vôos do Concorde, já que um acidente à altitude e velocidade de cruzeiro a que se deslocava seria bem mais grave do que num qualquer outro avião.
Por isso devemos exigir que sejam minimizados os riscos mas se os abolirmos não estaremos mais a avançar o limite até onde a humanidade pode chegar. E devemos ainda prestar justa homenagem a todos os que pereceram a testar e ultrapassar os limites até onde podemos ir.
Devemos estar preparados pois para muitos riscos e gastos avultados em projectos futuros como as viagens tripuladas a Marte pois só vivendo com estes poderemos continuar a avançar as fronteiras da humanidade e a fazer jus a uma das capacidades que permitiu o nosso sucesso como espécie que é a de arriscar, mesmo a vida, para desafiar os limites que a própria Natureza nos impõe.